Mais um dia paulistano costumeiro em que saí com pressa, corri atrás do ônibus, desci e fui adentrando pelas ruas me guiando por um trajeto que escrevi em um papel de rascunho com as coordenadas para chegar em meu compromisso. Corredores de ônibus são fantásticos, gostaria de dedicar este post especialmente aos corredores de ônibus pelos quais passei hoje que me permitiram chegar com precisão de horário em meu destino, sem vocês eu não teria conseguido, obrigada!
Meus trajetos sempre são feitos através de ônibus, metrô, trem e dos meus pés. Gostaria de adicionar mais algum meio de transporte alternativo em minhas possibilidades de locomoção, mas sou uma péssima ciclista e acredito que um tanto desatenta demais para me aventurar em vias públicas que não possuem adequação e segurança para aqueles que utilizam meios alternativos de transporte. Então, por enquanto, me mantenho naqueles citados no inicio deste paragrafo.
E como eu adoro andar a pé pela cidade! Explorar as ruas e me apropriar dos cantos, me sentir livre para ir e vir sem ter que respeitar as setas que indicam os sentidos das ruas e poder entrar onde veículos não podem. A velocidade sou eu quem faço, se paro ou continuo, é minha decisão! E posso parar, adentrar, conhecer lugares e pessoas que estando dentro de um veículo eu só passaria reto pensando: "Nossa, preciso parar aqui algum dia". Algum dia.
Foi hoje que, voltando à pé do compromisso que tinha, passei por ela. Ela estava sentada em uma mureta e era uma mulher linda! Puxou assunto comigo e eu respondi. Fiquei ali alguns minutos com ela e em certo momento ela comentou que eu era muito simpática e que é muito difícil as pessoas pararem para conversar daquela maneira, com tanta atenção. Agradeci o elogio e perguntei seu nome, ela me respondeu: Agatha. Comentei com ela que acho este nome belíssimo, ela agradeceu, perguntou o meu nome e comentou que acha que também tenho um nome bonito e forte.
Agatha me contou que estava lá sentada esperando dar a sua hora de ir almoçar e me contou que almoça sempre em um restaurante baratinho que fica lá perto de onde estávamos. Disse-me ainda que o dono do restaurante a conhece e acaba cobrando mais barato pelo PF, apenas R$6,00. Demos algumas risadas juntas e em certo momento avisei que precisava ir, ambas comentamos que adoramos a conversa e nos desejamos um ótimo dia. Então retomei meu caminho, deixando que meus pés me levassem até o meu ponto de ônibus.
Mas eu precisava mesmo ir? Fiquei pensando que poderia ter ficado mais tempo por lá, tê-la convidado para um café, ouvido suas histórias e contado as minhas. Apreciar um pouco mais deste momento de encontro com uma pessoa tão interessante, já que eu tinha um tempo livre. Arrependi-me de ter ido embora sem conversar mais com Agatha e espero sinceramente poder reencontrá-la um dia.
Esses encontros cotidianos são preciosos, algumas das pessoas mais interessantes que já conheci em minha vida passaram por mim assim, como uma conversa de alguns minutos em uma brecha do dia corrido.
Aliás, Agatha é uma travesti moradora de rua no centro de São Paulo e me abordou para pedir esmola para comprar o seu almoço. Não falei antes porque não achei importante e acredito que este detalhe não vá afetar sua impressão sobre ela...
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